03/04
Cresce atração por franquias de saúde e beleza na crise

Pela primeira vez, a pesquisa anual realizada pela Rizzo Franchise sobre o mercado nacional de franquias, aponta que o segmento de saúde e beleza fechou 2015 com mais marcas no mercado (409), na comparação individual com cada uma dos três segmentos que compõem a área de alimentação: especializada (334) – crepes, bebidas, sorvete etc; fast food (406) – comida árabe, japonesa, chinesa etc; e varejo (33) – supermercado, padaria, casa de carnes etc.

“O mercado ainda tem muito espaço para que o segmento de saúde e beleza mantenha esse nível de crescimento nos próximos anos”, diz Marcus Rizzo.

Segundo ele, clínicas odontológicas, por exemplo, estão surgindo em todos os lugares. “Estudo do IBGE aponta que 95% da população não tem o hábito de frequentar consultórios dentários, o que demonstra o vigor deste mercado.”

Rizzo diz que clínicas de atendimento médico também estão proliferando. “Elas se espalham pelo País, preenchendo o buraco deixado pelo sistema público de saúde”, afirma.

No total, saúde e beleza tem 28.626 unidades distribuídas pelo Brasil. Alimentação especializada tem 13.890, fast food, 17.810 unidades e varejo, 5.385.

O presidente da rede Ortodontic Center, Fernando Massi, acredita que o franchising está evoluindo no Brasil como ocorreu no mundo todo. Tudo o que é relacionado a marca e produto acaba se transformando, mesmo sendo no sistema de franquias, em um commodities, com margens apertadas. As franquias de saúde e beleza, por outro lado, agregam serviços, com margens muito mais atraentes”, afirma.

Ele diz que em 2015, a Ortodontic cresceu 16% e m relação ao ano anterior, obtendo faturamento de R$ 93 milhões. Em número de unidades, o incremento foi de 30% de 2014 para 2015. Hoje, no total, a marca conta com 141 unidades em atividade.

“No ano passado comercializamos 47 pontos. Neste ano, pretendemos comercializar 74 unidades e aumentar o faturamento em 59%”, estima.

Massi diz que adotou nova estratégia que está facilitando a vida dos novos franqueados. “Há alguns meses, separamos o investimento imobiliário do investimento da operação. Antes, o investimento total era de R$ 1 milhão, sendo que 80% desse valor era destinado à reforma do imóvel. Hoje, esse recurso vem de fundos de investimento e o franqueado entra com os 20% restantes”, explica.

Ele conta que dos R$ 220 mil desembolsados pelo franqueado, R$ 100 mil é usado para a aquisição de equipamentos e o restante fica para o capital de giro. “Dessa forma, abrimos o leque e podemos selecionar os candidatos com os melhores perfis, o que proporciona melhores resultados.”


Segundo ele, a rentabilidade do investidor acontece no decorrer do contrato de dez anos. “O retorno para os fundos ocorre sobre o faturamento bruto da unidade”, diz.


Massi comenta que no modelo antigo, muitas vezes, quem tinha dinheiro para comprar uma franquia, não queria operar o negócio, e quem tinha um grande perfil para tocar a operação, não dispunha do valor necessário. “Com o novo modelo de negócio, o dinheiro vem de um lado e a operação de outro.


Hoje, conseguimos filtrar muito melhor o perfil do candidato, dando melhor rentabilidade tanto para o franqueado quanto para os investidores e a própria franqueadora”, afirma.

O diretor executivo da rede Siluets, Ignácio Ferreira, considera que o mercado de alimentação cresceu demais nos últimos anos e agora está havendo um ajuste. “O segmento de saúde e beleza também vem crescendo, mas não está tão saturado. Lógico que as pessoas não estão deixando de comer, mas há muita oferta no mercado e, por conta da crise, muita gente está comendo menos fora de casa.”

No que se refere a saúde e beleza, Ferreira afirma que as mulheres não deixam de fazer os tratamentos. “Para as usuárias de estética, esses serviços são de primeira necessidade. Elas podem até procurar um tratamento mais em conta, mas continuarão fazendo.”

O diretor conta que em 2014 a marca faturou R$ 14,8 milhões. “Fechamos 2015 com faturamento de R$ 27 milhões. Esse crescimento se deve tanto à expansão da rede e do nome da marca quanto à ampliação do número de tratamentos, que hoje são mais de 30.”

Ferreira afirma que neste ano, a marca que conta com 80 unidades no País, espera abrir entre 30 e 50 unidades. “Todos sabem que nas crises os melhores se fortalecem, este é nosso caso. Nosso Ticket médio está aumentando porque clientes com maior poder aquisitivo estão optando pelos nossos serviços. Mesmo utilizando equipamentos iguais aos usados pelos concorrentes, oferecemos preços mais atrativos.”

 

Negócios na área de cuidados pessoais têm mais recorrência

CEO da rede Doctor Feet, Denoel Eller diz que desde o ano passado o perfil do investidor mudou. “Os candidatos a franqueados são pessoas que perderam o emprego e sabem que será difícil arrumar nova colocação nos próximos dois anos. Esse investidor é avesso ao risco e vê o segmento de saúde e beleza como o de menor perigo. Por isso, a atratividade das franquias do segmento”, afirma.

Segundo ele, a sustentação dos negócios de saúde e beleza se deve ao fato de as pessoas não abrirem mão desses cuidados. “Quem tem unha encravada, por exemplo, precisa ir ao podólogo a cada 25 dias. A pessoa depende do serviço, não tem opção de fazer ou não. Isso gera grande recorrência.”

Ao mesmo tempo, Eller diz que a queda do movimento nos estabelecimentos de alimentação afugenta os investidores. “Já o querer se cuidar é uma tendência natural do ser humano. Mesmo em momentos de crise, pois está é uma forma de aliviar a tensão. As pessoas podem espaçar um pouco mais essas idas, mas não deixam de ir.”

Eller afirma que em 2015 a marca passou por reestruturação para intensificar o processo de expansão. “Estamos trabalhando com dois caminhos que não tínhamos. Desde janeiro, novos franqueados podem parcelar o pagamento em quatro vezes. Também fizemos parceria com o Santander, que agora oferece financiamento com prazo mais longo e com taxas especiais para os candidatos que precisam completar o capital.”

Ele afirma que a receptividade está sendo boa. “Temos 65% a mais de negócios em andamento do que tínhamos antes das novidades.” A marca está presente em 13 estados e pretende abrir 20

Opções.
Fundada em 2013, a marca Sóbrancelhas iniciou 2015 com 17 unidades e terminou o ano com 120 lojas espalhadas por todo o Brasil. “Driblamos a crise e faturamos R$ 24 milhões em 2015. Um surpreendente crescimento de 705,88%. Para 2016, nossa expectativa é de dobrarmos a receita e chegarmos a 300 unidades”, afirma a fundadora, Luzia Costa.

Segundo ela, o segmento de beleza é o que está sendo menos afetado pela crise. “Percebo que as mulheres continuam se cuidando, mesmo que seja para ir procurar emprego.”

Luzia diz que a marca oferece três opções de modelo de negócio. “O investimento para montar um quiosque é de R$ 90 mil, a loja tradicional custa R$ 120 mil e o Sóbrancelhas Truck R$ 160 mil. O prazo de retorno é de 18 meses e o contrato tem duração de 60 meses.”

Ela diz que entre os serviços oferecidos, além do design de sobrancelhas, estão alongamento de cílios e depilação com linha. “Temos mais de dez serviços especializados e trabalhamos com linha própria de produtos. Nosso diferencial é a qualidade dos serviços e a segurança dos produtos usados, que são 100% descartáveis.”

Antes de criar a marca, Luzia teve carrinho de lanches, que virou lanchonete e uma pizzaria, que quebrou. Então, enquanto fazia cursos de estética, sua paixão, produzia e vendia conservas. “Fiz vários cursos na área de sobrancelhas e criei um centro de treinamento antes de lançar a Sóbrancelhas.”

Fonte: Estadão
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